Do Poeta e Escritor Lau Siqueira
(JORNAL DA PARAÍBA, em 19/05/2013)
A Paraíba precisa desfrutar
com mais intensidade a ascensão dos seus artistas. Geralmente o reconhecimento vem
de fora para dentro. O fato é que em cada região pulsa uma imensa artéria
criativa nas mais diferentes linguagens. São caminhos que ainda estão sendo
percorridos passo a passo, como todo bom caminho. Sensações inevitáveis quando
o assunto é expressão e convívio com os fetiches da arte. Depois de um mestre
Naif como Alexandre Filho, reconhecido internacionalmente e de outros grandes
nomes, começa a despontar com força o artista plástico Adriano Dias. Natural de
Guarabira-PB, ele nos mostra a capacidade de resistência de quem faz da arte um
modo de respirar de forma equilibrada diante da decomposição cultural ofertada
pelos canais midiáticos.
Todavia, penso, já faz um
bom tempo que o conceito de arte Naif saiu das cavernas. Há muito que o
primitivismo abriu as portas para a modernidade. Para além dos diluidores de
qualquer escola, nas imensas asas que colocaram Volpi no MASP e Patativa do
Assaré na Sorbonne. A suposta ingenuidade é uma escolha. Uma arte tão bruta
quanto a certeza de uma pétala, não se limita a um conceito. Sem essas certezas
duvidosas Adriano Dias começa a destacar-se enquanto legítimo representante de
um traçado geográfico em óleo sobre tela, com todas as matizes de um cotidiano
descaracterizado pela invasão tecnológica.
Pouco conhecido ainda na
Paraíba, Adriano Dias começa a transpor a barreira das cores através das redes
sociais. Uma trajetória conduzida de fora para dentro e de dentro para fora.
Através dos seus próprios esforços e com suas próprias pernas ele conseguiu ir
mais longe. Depois de mostrar sua arte em Barcelona numa exposição
internacional de arte Naif da BCM Art Gallery, se prepara para mostrar suas
cores e sua originalidade também na Polônia. Esse artista representará o Brasil
entre os dias 14 de junho e 14 de agosto, no VI Kato-wice Mondial Festval,
outro evento internacional de arte Naif. Adriano também participou este ano de
uma exposição em Embu das Artes-SP. Ironicamente, nunca realizou uma exposição
individual em João Pessoa ou Campina Grande, a rigor os dois principais centros
culturais do Estado.
No trançado primitivo das
formas, nas revelações de um olhar que se estende para além de todas as
certezas, Adriano é um artista pleno de suas buscas. Estira suas asas pelo
mundo para mostrar os cenários do Brejo, as multidões que habitam as suas
aldeias criativas. Perplexo diante das imensas ilhas de reconhecimento que
começam a se formar sobre sua arte, Adriano Dias é mais um artista da Paraíba
que começa a ser reconhecido lá fora antes de ser acolhido plenamente na Paraíba.

