sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ANTES QUE SEJA TARDE

Certas doenças da modernidade umas mais recentes e outras de anos mais distantes, profundamente marcantes, que chegam na casa de alguém, já trazem consigo o prenúncio de uma grande tristeza além de se instalarem magoando a todos.
É num caso desses que estou sendo marcado e que há dias me tem tirado a vontade de ler, escrever e conversar com amigos e conhecidos, conforme sempre gostei de fazer.
Até o Blog onde tenho sempre exposto textos que julgo importantes e alguns comento também, e no qual ainda posto artigos meus, está passando por um certo desprezo, resultante dessa situação de doença numa pessoa que muito amo, sem nunca ter alardeado essa paixão de sangue e de família.
E a gente vai vivendo e pensando, principalmente quando na terceira idade, que o coração nunca será entristecido por fatos dessa natureza, na própria família. E o dia chega e a gente sente que é um fraco e que nada pode, nada é realmente, apesar de exibir por esse mundão afora tanta vaidade e orgulho.
Ah, e a gente descobre, também, que é amado de verdade e que durante toda a vida, o sentimento de família não tinha falado mais alto. E, antes que tudo termine para a minha geração e dessa irmã em Cristo e de sangue, é preciso dizer-lhe, mesmo sem pronunciar-lhe o nome que A AMO hoje mais que ontem e menos que amanhã, e abraço-me à sua causa de luta, que é sem dúvida a mesma dos seus filhos e netos, MINHA QUERIDA.
A vontade da leitura e do escrever depois voltarão, mas por enquanto, substituo tudo isso  por preces e fortalecimento da minha própria fé, pois não posso ser ingrato com o maior Pai do mundo.
Venho de visitá-la há poucos minutos e o coração se me apertou ainda mais quando sentamos lado a lado e carinhosamente conversamos sobre tudo, menos doença. Lembrou da sua juventude, falou do berço natal dos meus e dos pais dela em Roma de Bananeiras, dos tempos em que lutou tanto com o esposo para edificar sua família no saber e na religião católica, e com plena lucidez e felicidade sobre os três dias em que o Frei Damião esteve hóspede de sua casa para cumprir em Belém as suas Missões.

Continua essa sábia campesina, muito fidalga e capaz de acolher a todos quanto a procurarem, conforme o fizera sempre durante a juventude. Quem disse que Deus esquece os seus?