sábado, 2 de fevereiro de 2019

REINALDO, O SEGUIDOR DE CRISTO



Ao final da nossa religiosa festa da Luz, no dia de hoje, o Bispo Diocesano Dom Aldemiro Sena, engrandece nossa gente, quando fez a ordenação sacerdotal do ilustre Reinaldo Calixto, desde muito jovem tocado a servir à causa maior do Evangelho e se oferecendo a ser capacitado para conduzir seus irmãos pelos caminhos da fé, em busca da vida eterna. Que grande escolha fez o nosso Deus, sobre jovem tão humilde e de simplicidade marcante.
O Supremo que tudo sabe, faz de Reinaldo, seu mais recente instrumento, um padre capaz de inspirar outros jovens a seguir a caminhada sagrada, capaz de tornar a Sua Igreja muito maior e forte.
A partir de agora, o sacerdote Reinaldo Calixto assume responsabilidades como mais novo iluminado de Deus. Amanhã às 19h00, celebra sua primeira Missa na nossa Catedral da Luz e no dia 17 às 06h00, no Seminário São José. Ali, é como um nobre gesto de agradecimento à casa que o acolheu por tanto tempo, e o preparou plenamente para seguir na caminhada santa, conduzindo o povo católico ao encontro com o Pai celestial.
Que Nossa Senhora da Luz, interceda sempre por todos aqueles que se dedicam a seguir os passos do seu amado Filho, pois os sabemos, sofrendo perseguições ainda hoje, embora de forma por vezes tão velada.
Como tantos que formam o povo de Deus, sempre que nos deparamos com sacerdotes hoje servindo a Guarabira e aos municípios que fazem a Diocese da Luz, sentimos a necessidade de ouvi-los e muito bem, pois nos parecem por vezes muito verdes ou muito jovens, diante de tantos nomes ilustres e muito experientes por aqui passados como Emiliano de Cristo, Pedro Micallef, Geraldo Pinto, Celestino Grillo, Luigi Pescarmona, Francisco Adelino, Cristiano Muffler, José Nicodemos, Paulo José, Adauto Tavares e tantos outros.
Para nossa alegria, depois de escutar as homilias e conselhos desses meninos padres, o coração se nos enche de uma felicidade profunda, reconhecendo-os capazes no sacerdócio e na administração daquilo que a Diocese lhes entregue à condução. Enquanto isso sempre estão se aperfeiçoando e dialogando com jovens e católicos antigos. Diria que unem as gerações e daí se fazem cada vez mais experientes. Enquanto constroem sua caminhada na fé, adquirem amizades mais sinceras e o respeito de pessoas antigas e atuais.
Ao padre Reinaldo Calixto, parabéns e que Guarabira o receba na certeza de que o bom filho fará por Deus, por ela e por todos nós.  

domingo, 27 de janeiro de 2019

FESTA DA LUZ, UM ACONTECIMENTO DE BRILHO




Para a nossa geração, o historiador Cleodon Coelho, deixa-nos dito que a primeira festa em que se homenageou a padroeira Nossa Senhora da Luz, teria ocorrido em 1901 e no largo da igreja matriz, atual catedral, sendo muito prestigiada pela sociedade local e pessoas da região. Após a novena, os católicos se retiravam da igreja e se dirigiam ao adro da matriz, ornamentado por cordões embandeirados e estendidos paralelamente, sobre as cabeças da multidão posicionada em área iluminada por luz de carbureto.
Lembra-nos Cleodon, ainda, que no largo da matriz “via-se ainda um jardim com vários canteiros regados por uma fonte artificial e no centro um coreto para a banda de música executar as retretas”.
Diz-nos ainda que ao padre Maranhão, auxiliado pelo padre Walfredo, apoiado pelos seminaristas Matias Freire e João Milanez, coube oficiar a celebração desse dia, cuja missa fora cantada.
Ao passar dos anos, o largo da matriz foi ocupado por multidões que após as novenas, podiam participar do pavilhão erguido em homenagem à Virgem da Luz, padroeira da nossa terra e hoje também da nossa Diocese. Ali, se apresentavam importantes orquestras e cantores excelentes recepcionando a sociedade local e de municípios vizinhos. Em várias oportunidades, cantores desta gleba como Lula Bolinha, Carlos Tejo e tantos outros, embalaram sonhos juvenis de casais enamorados.
Comércio e proprietários rurais, doavam dinheiro, caprinos e bovinos, para que ao final, o lucro arrecadado nos leilões fosse repassado ao pároco que o utilizava em assistência social, ampliação de escolas ou em reformas da nossa bela igreja.
Em outras oportunidades, evoluindo o tempo, os parques Xangai (Recife), Brasil e São Luiz, esse de Luiz do Parque, sempre estavam quer no espaço que ainda lhes sobrassem no adro da igreja ou instalados nas proximidades, fazendo a alegria da criançada e juventude. Carrossel, onda, juju, roda gigante, aviões e outras diversões gozavam da preferência infanto-juvenil da época.
A urbe era tomada por um entusiasmo muito forte, chegada a ocasião do reencontro de familiares, amigos e simples conhecidos. Era hora de rever a cidade onde se nasceu, conferir costumes aqui deixados e se fazer melhor informado das ocorrências sociais e das transformações administrativas ocorridas. Era o momento do reencontro depois de um ou mais anos fora de Guarabira, esse berço tão amado. Era o momento da festa tradicional da Luz.


Desde quarta-feira, 23, o nosso bispo Dom Aldemiro Sena proporcionou a abertura religiosa de mais uma Festa da Luz, com missa solene de abertura do evento, após belíssima carreata conduzindo a imagem de nossa padroeira pelas ruas centrais da cidade, desde a igreja matriz de Santo Antonio até a catedral.
Diariamente, após a novena, acontece grande quermesse no adro da catedral, cujas barracas de comidas típicas recebem visitantes de todos os recantos da cidade e de outros municípios, buscando pratos que satisfaçam seu paladar, ouvindo boa música e se divertindo nos bingos e sorteios que lhes proporcionam valiosos brindes.
Continuemos na festa religiosa de Nossa Senhora da Luz. A catedral o espera e os guarabirenses, também.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

NATAL DE ESPERANÇAS



Muitos reclamam anunciando que nunca tiveram oportunidade de viver uma vida melhor, garantindo-lhes uma velhice descansada e sem tormentos. Mas nunca pararam para olhar em sua volta, ou apreciar a sua caminhada existencial, analisando-a detalhadamente, para ver se realmente não tiveram chances – no plural mesmo –  de prosperidade e crescimento. Talvez não lhe tenham aparecido aos olhos, baús de moedas de prata e ouro, porém, outras riquezas podem lhes ter surgido e não notaram por estarem ocupados com futilidades. Estavam elas ali bem pertinho e às suas mãos, mas por força de distração, nada conseguiram enxergar. E o tempo passou e eles se perderam nas distrações.
Outros se desesperam e se dizem esquecidos do Criador e dos seus irmãos, diante de tantas dificuldades enfrentadas. Aí a quantidade de ingratos é enorme mesmo, pois cegos não percebem ainda durante os seus lamentos que a sua riqueza maior e felicidade plena, antes de uma existência materialmente alicerçada em tesouros, é estar vivendo sem nenhum defeito físico, com capacidade de trabalho e gozando de todos os sentidos desde o nascimento.
Ah, mas existem os agradecidos e humildes por natureza, que atormentados por dores ou defeitos físicos, são em verdade a imagem da conformação e da tolerância. Nada reclamam dos irmãos ou dos céus, ainda que se vejam precisando do amparo de terceiros, para continuar vivendo na comunidade. Substituem a blasfêmia e a tristeza por uma prece de agradecimento e até mesmo um sorriso contagiante. Que bom sabermos que ainda há reconhecidos e obstinados pela vida.
Quando puder, abra os olhos para o mundo e descortine o futuro, e enquanto estuda se deixou passar oportunidades maravilhosas sem abraça-las, saiba que talvez tenha se feito amigo de quem o elogiava e aplaudia por conveniência, e enquanto você perdia o seu bajulador crescia. O seu Judas estava ali bem pertinho.
Saiba enxergar, porque ao receber o dom da vida, lhe foi dada também a maior das visões: o raciocínio que o capacita a ler nas entrelinhas do silêncio alheio uma interpretação real do pensamento dele. Assim, poderá conhecer a verdadeira história de quem jamais a contará.
Agarre todas as oportunidades decentes que lhe surgirem, e vivendo-as sem esquecer as dificuldades que teve, saiba dividir com o vizinho e o próximo, tudo de bom e salutar que lhe é excesso nessa nova oportunidade que o Menino Deus está lhe dando. Ah, e nunca mais esqueça de cumprimentar, abraçar, apertar a mão, visitar, amparar e perdoar. Se nada disso fizer, de que lhe adiantou ou adiantará crescer?
A partir deste Natal, sejamos mais solidários, sejamos realmente irmãos. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

UMA AULA DE CULTURA



Por Aderaldo Luciano

Hoje é o Dia Nacional do Forró, dia de Santa Luzia, dia do nascimento de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Para nós, que estamos na senda nordestina, nas trincheiras culturais da raiz forrozeira, nas linhas de enfrentamento contra a máquina de terraplanagem global, procurando o regional como marca distintiva e, por isso mesmo, universal, é dia de celebração. Reponho um texto que muito me fala e que de mim fala tanto.
A banda paraibana Cabruêra desceu ao sul e instalou-se no Rio de Janeiro em setembro de 2001. Aqui, no Rio de Janeiro, fundou a Cabrahouse, primeiro em Copacabana, depois em Santa Teresa, tradicional bairro de artistas. Ao chegar, debutou na TV Brasil e lançou disco no palco da resistência cultural carioca, o Teatro Rival, e assim seguiu arrebanhando um cordão de adoradores.
Zé Guilherme Amaral, o Munganzé, que Deus o guarde em sua misericórdia, na época, percussionista e um dos pilares da Cabruêra, vindo aqui em casa, incitou-me a explicar a origem do termo “forró” para uma oficina de percussão no Festival de Inverno de São João del Rey, em Minas Gerais, onde a banda tocaria.
Pois bem. Discutíamos a gênese da palavra a partir de duas explicações para o que se passou a chamar de forró. A primeira estando ligada à construção da malha ferroviária no interior de Pernambuco por engenheiros ingleses que, em suas horas de folga, patrocinavam pequenas rodas nas quais a liberdade, municiada pelo consumo de álcool, pontuou a descontração e a dança. Segundo essa vertente, as rodas eram “for all”, para todos, no idioma nativo dos ingleses. Daí a pronúncia aberta “forró”. Sem registro que legitime tal origem, fica-se no âmbito da lenda.
A segunda é apresentada pelo folclorista Rodrigues de Carvalho, em seu Cancioneiro do Norte de 1903, apontando uma associação entre forró e forrobodó, festa popular das pontas de rua, baile popular aberto para toda a população pobre. Câmara Cascudo registra a mesma origem fazendo um levantamento da aparição do termo desde 1833, para encontrar uma variante datada de 1952, num semanário chamado A Lanceta, sem indicação de local. O termo é forrobodança, uma espécie de dança popular.
Apesar de servirem-nos um bom prato de prosa, acredito que essas duas teses sejam insuficientes, mesmo porque fica difícil determinar data para surgimento de qualquer palavra. Respeitando a pesquisa, talento e autoridade dos dois folcloristas, lanço uma terceira via. Quero aproximar o termo brasileiro forró, ao termo árabe "alforria", liberdade.
Quando alguém era alforriado, a palavra “fôrro” servia-lhe de epíteto, recebendo, inclusive um par de sapatos. Elomar, em sua cantiga o Violeiro, canta “Deus fez os home e os bicho tudo fôrro...”. De forria para fôrro, de fôrro para forró, celebração da liberdade, da quebra do jugo e dos grilhões. Não é isso que o forró faz?
Os testemunhos populares na diferenciação entre as festas de São João, festa popular, marca indelével das tradições nordestinas, e Natal, tradição europeia, servem de esteio para minha tese. Enquanto a festa de Natal é descrita como uma festa formal, o São João prega a liberdade, é festa livre e comunitária, não requer roupa nova, nem champanhe para comemorar. E todas as classes e raças são chamadas ao arrasta-pé, criando um valor fundamental para a miscigenação de raças e culturas, no dizer de Darcy Ribeiro, e imprescindível para a construção do humanismo, segundo Jorge Amado.
O que nos interessa, também, é a divulgação desse ritmo propagado pelo pioneiro Luiz Gonzaga, primeiríssimo nordestino a assumir compromisso com esse suposto novo estilo musical, depois de fazer o caminho do sul. Sua história e sua vida estão na boca do povo e dos artistas, transformado em ícone institucional na etno-musicalidade brasileira. Tendo construído uma realidade mágica do Nordeste, com seus vaqueiros e cangaceiros, plantou a semente da música popular regional nordestina em todo o Brasil. Asa Branca transformando-se na bandeira, estandarte dessa visão.


Gonzaga sofre, entretanto críticas oriundas de um outro mito: Jackson do Pandeiro. O ritmista paraibano apregoava que o baião originou-se do coco e que o feito do Rei do Baião não passava de um novo invólucro para um velho ritmo. Zé Guilherme contou-me ao pé do ouvido que o jornalista Rômulo Azevedo, de Campina Grande, numa tentativa de conciliação entre os pilares formadores do forró, um paraibano e o outro pernambucano, defende o império imaginário de Parabuco, um híbrido situado entre Caruaru, a capital do forró, e Campina Grande, terra do Maior São João do Mundo. Essa, para mim, a melhor opção, o lúdico, a criatividade, a liberdade, a alforria.
Fonte: Facebook de Aderaldo Luciano

O REPENTE NA MANHÃ DE SÁBADO


Poetas repentistas derramam conhecimento através das cordas maviosas de suas violas, no próximo sábado (15), às 10h00, na Galeria Augusto dos Anjos, em João Pessoa, promovido pela Livraria do Luiz, grande responsável pelas divulgações literárias e culturais da bela capital paraibana.
Vamos lá, respirar cultura e matar saudades?