terça-feira, 11 de setembro de 2018

MÁGOAS


Augusto dos Anjos
Quando nasci, num mês de tantas flores,
Todas murcharam, tristes, langorosas,
Tristes fanaram redolentes rosas,
Morreram todas, todas sem olores.
Mais tarde da existência nos verdores
Da infância nunca tive as venturosas
Alegrias que passam bonançosas,
Oh! Minha infância nunca teve flores!
Volvendo à quadra azul da mocidade,
Minh’alma levo aflita à Eternidade,
Quando a morte matar meus dissabores.
Cansado de chorar pelas estradas,
Exausto de pisar mágoas pisadas,
Hoje eu carrego a cruz das minhas dores!
Fonte: NOTA TERAPIA (notaterapia.com.br)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

CAMINHADA PRA DEUS



Nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, mesmo ausente de minha terra Guarabira, tomo conhecimento de que o colega professor Robson Freitas, fez a sua páscoa e foi em busca do Criador.
Atendeu-Lhe ao chamado e foi prestar contas da sua vida por aqui. Não vai ter dificuldades tenho certeza, porque se sabe que era bom amigo, bom filho, bom irmão, bom esposo, bom pai e excelente avô.  
Por mais que saibamos todos nós, através de catequistas e dos próprios pais desde a infância, que a vida é apenas e tão somente um instante que aqui passamos na companhia de tantos outros, aguardando o chamado do Pai celestial, nunca nos conformamos à aproximação da grande partida daquele a quem amamos.
Também não nos conformamos ante a afirmação cristã de que se morre para a vida. A saudade no instante da separação fala muito mais alto e nos arrebata à razão. Que Deus nos possa perdoar pela tristeza e inconformação que se abatam sobre nós, em momentos como esse. Somos muito pequenos e confessamos a nossa fraqueza Senhor.
Dentre tantos a quem o Bom Deus permitiu a vida, há os que marcam época pelos gestos e ações, pela demonstração de presença ativa junto da humanidade, e aqueles que a si tomaram por amor, a responsabilidade de servir mais de perto a seus semelhantes, através do exercício do magistério. Não quiseram descansar a mente enquanto vida tiveram, e se dedicaram a servir ao seu alunado, preparando-o para a vida em família e em sociedade. Robson Freitas foi um desses.
No dia de hoje Guarabira estudantil e universitária chora a passagem do professor Robson, caminhando a essa altura em busca do céu e da misericórdia do Criador. Cumpriu seu papel aqui junto a nós como elemento social e deixa aos seus descendentes grande exemplo de cidadão e de dono de casa.
O professor Robson deixa saudades à sua terra Guarabira, a quem serviu com muito amor e respeito o tempo todo. O seu nome por ele mesmo foi escrito nos alfarrábios que contam a história dos que nasceram para servir aos seus irmãos e ao berço natal.
Enquanto por sua alma rezamos, desejemos que Deus o acolha na Sua paz e infinita misericórdia, permitindo-lhe o descanso celestial, professor Robson Freitas.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

JOSÉLIO E A SUA “SOCIOLOGIA DO PECADO”





Por Nonato Nunes.



Nesse final de semana, em meio a uma pesquisa que venho desenvolvendo sobre os fatos de 1930 para a composição de um futuro livro, fiz uma breve pausa para fazer uma releitura do livro “Estrela – O parque do prazer” [edição de 2010], do guarabirense Josélio Fideles de Souza. De cara o leitor observa que nas páginas do livro de Josélio há lições de uma sociologia que remonta há séculos e séculos, pois, segundo os mais sábios, “Não há profissão mais antiga no planeta” [a de ladrão também é dos tempos do Capitão Caverna...]. Pois bem. Quem observar com atenção, na capa do livro existe uma sentença [ver destaque] a qual, no meu entender, contém inúmeras verdades. Procurei, no mesmo livro, o autor da emblemática sentença, já que aparece entre aspas, mas, infelizmente, não obtive sucesso. A frase é de uma verdade a qual, se não é absoluta, ao menos se aproxima disso.


O certo é que em poucas palavras o autor da sentença definiu o que os estudiosos do comportamento humano levaram anos e anos para dizer justamente isto: “No dia em que os cabarés deixarem de existir, a prostituição entrará pela porta dos nossos lares e arrancará muitas de nossas crianças.” Simplesmente, perfeito! O que se vê hoje é o resultado prático de graves mudanças nas relações sociais causadas, exatamente, pela extinção [ou quase isso...] de uma profissão que funcionava como uma espécie de “barreira moral” contra a expansão das promiscuidades inerentes a cada ser humano. Quero dizer que enquanto as coisas funcionaram em locais e ambientes confinados houve, sim, o refreamento de perversões ou de “comportamentos pervertidos”.
Com a extinção dos cabarés, em praticamente todo o país, foram derrubados os “muros de contenção moral” os quais, como já foi dito, funcionavam como uma divisória quase que “intransponível”; responsável por resguardar “a moral e os bons costumes”. Fideles identificou [e com acerto], na proliferação dos motéis e pousadas, a consequência mais imediata resultante da extinção dos cabarés. Para estes se dirigiam as moças que haviam “se perdido” na vida e eram expulsas de suas casas.
Ali ficariam confinadas – algumas, por anos a fio. Já os motéis possibilitaram a que casais de jovens, ávidos pela sonhada “liberdade sexual”, pudessem entrar e sair deles sem o temor de serem descobertos. E após o frenesi de suas estripulias sexuais podiam retornar aos seus lares como se tivessem vindo de uma cerimônia de batismo... 
Li, no livro de Josélio, que até as 23 horas, as prostitutas do Estrela estavam proibidas de circular pelas ruas centrais de Guarabira. Esse “muro moral” logo seria derrubado...
Resumindo: em nome dos “bons costumes” a sociedade brasileira simplesmente fechou os cabarés; em compensação abriu as portas de sua casa àquilo que mais condenava. 
E o resultado dessa troca estamos vendo hoje...
Um abraço.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

O GIRADOIDO E OS LIMÕES AZEDOS





Desde os tempos em que o ex-prefeito Osmar de Aquino implantou a mão inglesa, em um sábado ensolarado do passado e por não mais que algumas horas, o trânsito do Morgado nunca mais foi o mesmo. De lá para cá, muita água ainda limpa passou por debaixo da ponte de ferro da Great Western Railway Company, na rua do Boi Choco.
Nesse tempo, até as bicicletas chegaram a ser emplacadas e um único guarda de trânsito dava conta da organização do que hoje chamamos de mobilidade urbana.
As placas dos caminhões, camionetes, carros de passeio e de praça, possuíam apenas três dígitos. Os números dessas placas, da frota inteira da aldeia, seja a particular ou a de aluguel, cabiam na prodigiosa memória de José de Andrade Vieira.
Zé Vieira, como era conhecido e para completar, também tinha nos guardados da memória os números de todos os telefones da cidade, com os mesmos três dígitos das placas dos carros. À época a telefonia local era administrada por uma empresa chamada Coteguara.
Era só perguntar e Zé respondia, na bucha. Treinava a memória com essas minudências, por certo para usá-la no jogo de baralho e na estratégia política, que eram o seu forte.
O trânsito, em particular, integra o conjunto de muitos outros problemas que afligem a nossa adolescência como cidade. É a decorrência natural de um lugar que teve seu crescimento forçado para todos os lados sobre a fronteira rural e ainda muito tímida e desorganizadamente para cima.
A povoação abriga cada vez mais gente e foi inundada por carros e motos, numa profusão que a deixa caótica, principalmente em dias de feira.
Fica parecida, nos horários de pico, com uma Nova Deli ou Bombaim, guardadas as devidas proporções.
Ultrapassamos, com razoável desenvoltura, o tempo em que Zé Sinhô, filho de um fazendeiro do Morgado, nos mesmos dias de sábado, pilotando a sua camionete Chevrolet “meia quatro”, branca com para-lamas azuis, escrevia um “zero” com os pneus do seu bólido, deixando o numeral gravado com a tinta dos pneus queimados pelo atrito no centro do pavimento. Isso acontecia, com alguma frequência, no largo da Pedro II, em frente ao prédio de Bezerra Bastos e do cartório de Garibaldi Sales.
Certa vez, em pirueta ainda mais ousada, imprimiu um “oito”, para o delírio de uma plateia que quase sempre o saudava com gritos e assovios após cada manobra.
Como se fosse previamente acertado, o guarda só aparecia depois, para checar a escrita do motorista. Como o cartório em frente não reconhecia a firma do autor, ficava por isso mesmo.
Recentemente foi fechado um longo ciclo mediado entre o não pode mais e o não pode ainda, espaço de tempo que marcou a transição entre a atuação da guarda de trânsito do Estado e efetivação da Guarda Municipal especializada.
Em suma, os guardas estaduais saíram de cena enquanto a guarda municipal ainda não existia de fato. A tal guarda, criada por lei, ficou confinada no papel por uns bons anos, inclusive na gaveta do atual intendente. Finalmente instalada, as mãos foram postas à obra de reorganizar o trânsito da Bombaim brejeira.
Nesse hiato de razoável duração, foi aberto um moroso processo seletivo para admissão dos novos guardas de trânsito. Um outro concurso, desta feita o de “achismos” (eu acho isso…eu acho aquilo!) fluiu sem nenhuma autocrítica por parte dos próprios “achistas,”.
O tal concurso foi capaz de produzir experiências malfadadas, algumas delas carimbadas com bom humor pela população, como no caso do girador da Pedro II.
O tal girador foi batizado pelos morgadenses como “giradoido”. Ineficiente e mal concebido como obra viária, até hoje só serve para causar sustos nos motoristas.
Mais parece uma roleta russa. Mesmo assim é respeitado, como devem ser respeitados todos os loucos.
Nos dias atuais, uns poucos agentes de trânsito do município já podem ser vistos no Morgado, algumas vezes em duplas, postados nas esquinas onde o tráfego é mais intenso e crítico. Comunicam-se aparentemente apenas entre si e assumem uma postura visivelmente inamistosa.
É como se a cara amarrada os fizesse superiores, colocando-os acima dos mortais e fosse absolutamente necessária para suportar o peso da farda cítrica. Tal postura, na opinião de boa parte dos munícipes, é bem mais azeda do que o necessário para o exercício da autoridade.
Dentro da máxima que gentileza gera gentileza, o exemplo do agente de trânsito paraibano “Apito de Ouro” contraria a lógica local e bem que poderia ser usado como parâmetro.
Apito de Ouro atuou na década de setenta, na capital da província. Sua ferramenta para orientar e organizar o trânsito era apenas o apito. Uma coreografia característica e a gentileza com a qual tratava os condutores de veículos, de carroceiros a taxistas, de caminhoneiros a proprietários de automóveis de luxo, era a mesma, sem distinção e sempre com um sorriso nos lábios.
Apesar dos pesares a chegada dos novos agentes, somada a outras iniciativas, fez melhorar em muito o nosso trânsito, tanto com relação ao fluxo como a organização dos estacionamentos, além de outros particulares. Nisso todos concordam. Há de se reconhecer que as poucas intervenções feitas nessa nova fase, não foram concebidas como fruto do empirismo experimentalista, mas sim levadas a cabo por gente do ramo, após uma mínima avaliação técnica.
Um fato, porém, assume dimensões no mínimo preocupantes. Numa cidade onde o bipolaridade política parece ser uma praga inextinguível e onde os investimentos na área do trânsito, pela timidez, aparentam ter como única fonte de financiamento o dinheiro arrecadado com aplicação dos autos de infração, um talão e uma caneta, ou mesmo um moderno programa desses construídos para dispositivos móveis, poderiam se tornar ferramentas, quando mal usadas, destinadas ao atendimento de todos os apetites, desde a compulsão arrecadatória, até a mera implicância político partidária.
A assertiva acima poderia até ser considerada atentatória à dignidade dos agentes da nova guarda, não houvesse o cuidado na colocação do verbo no seu devido tempo, ou seja, poderiam.
Há motivo para que pensemos assim? É claro que há!
Conheci as instalações da STTRANS no dia em que fui requerer o cartão de “idoso” para seu usado em vagas de estacionamento especiais, o qual só pretendo lançar mão em casos absolutamente extraordinários. Mesmo que quisesse, teria que disputar a tal vaga com outros sessentões, setentões e até oitentões, visto que quase não há espaços com essa destinação aqui no Morgado. Os poucos que existem padecem de sinalização adequada.
Bem recebido e já acomodado, aguardando a minha vez de ser atendido, vi quando um motorista, com um auto de infração na mão, procurava saber qual o nome do agente que tinha lhe aplicado a multa pelo fato de estar sem cinto de segurança, ao trafegar na avenida padre Inácio de Almeida, em frente ao Mercado Velho.
O servidor da STTRANS disse que o guarda responsável pela autuação era aquele cuja matrícula já fora informada na notificação. Achou, por certo, que o motorista se conformaria.
Instado de forma insistente a dizer o nome do guarda, o servidor informou que a matrícula pertencia ao Superintendente do órgão.
Questionado se havia sido o próprio Superintendente que havia aplicado a multa, o servidor informou que não. Acrescentou que todas as multas, por orientação da administração, são lançadas na matricula do superintendente.
É como se o “super” do “intendente” conferisse ao chefe do trânsito local o dom divino da onipresença, da ubiquidade, ou seja, o de poder de estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
Internamente, no âmbito da estrutura administrativa da intendência, o fato talvez nem seja visto com tanta estranheza. O intendente geral, pelas suas práticas políticas e administrativas, dá indícios fortes de ter sido agraciado divinamente com o dom da onipotência.
Quem se der ao trabalho de consultar o Código de Trânsito, mais precisamente o Inciso V do art. 280, verá  que os autos de infração lavrados de forma apócrifa ou que tenham como signatários pessoa diferente do agente que presenciou a conduta, tipificou e redigiu o auto,  são nulos.
Concentrar na mão do superintendente a possibilidade de só ele rever possíveis equívocos ou desvios de conduta dos agentes, parece agredir o mais comezinho senso de justiça, dando oportunidade para ilações de todos os tipos, inclusive a de que pesos e medidas diferentes poderão ser usados na hipótese de um eventual recurso.
Se o desejo real é o de que venhamos um dia a ter um trânsito modelo, do qual possamos nos orgulhar, multar um veículo que se move a 2,5 quilômetros por hora, com um intervalo de meio metro entre um carro e outro pelo fato do condutor estar sem cinto de segurança, parece pedagogicamente inaceitável, pouco razoável e até truculento. Um mero gesto do agente, sanaria o problema. O motorista, por certo, o respeitaria mais ainda. Não daria margem para o condutor deduzir que o salário dos agentes depende das multas aplicadas.
Há razões para dedução. O portal da transparência do município, continua opaco com relação ao número de multas aplicadas por mês, trimestre ou semestre, bem como sobre valores apurados e a sua devida destinação.
Da forma como atua hoje o órgão de trânsito do Morgado, precisaríamos de uma memória prodigiosa como a de Zé Vieira, para gravar o inteiro teor do Código de Trânsito e segui-lo tão à risca, que conduzir um veículo em solo morgadense passaria a ser uma atividade por demais tensa e até temerária.
Um bom motorista certamente não é aquele considerado um ás do volante, como um dia foi Zé Sinhô, mas aquele que conduz seu veículo procurando obedecer, no máximo que for possível, ao verdadeiro cipoal de regras impostas pelo código específico.
Isso não é fácil numa cidade que tem suas obras infraestruturais arrastadas por mais de meia década, com ruas esburacadas, desvios, deficiente de sinalização, carente de semáforos, com faixas de pedestres que são apagadas como uma escrita a grafite pela borracha dos pneus.
Como todos os condutores que trafegam pelo Morgado, pertenço ao grupo de risco dos que podem vir a ser multados. Espero que nunca por uma conduta deliberada. Em qualquer das hipóteses posso até tomar a limonada, mas sabendo quem a preparou.




Alexandre Henrique (Cronista e Fotógrafo multimídia)

terça-feira, 14 de agosto de 2018

VALEU RENATO TOSCANO



Ao entardecer desta terça-feira, 13, graças a visão do jovem Renato Toscano, os que têm se dedicado a cultura guarabirense produzindo contos, romances, História, crônicas, poesias e cordéis, política e Geografia, enfim, digamos produtores literários com publicação de livros e em blogs, foram homenageados pela Câmara Municipal em sessão especial, por ação daquele jovem parlamentar, a quem coube dirigir os trabalhos.
Na ocasião os homenageados receberam diploma de Honra ao Mérito pelos excelentes serviços prestados ao município, no que diz respeito ao incentivo para o desenvolvimento literário.


Há que se destacar o interesse e visão do vereador Renato Toscano, ainda que parlamentar de primeiro mandato, pois indiscutivelmente levou os seus pares na Casa de Osório de Aquino, a tomarem conhecimento da realidade enfrentada cotidianamente por quem escreve e produz conhecimento, diante das dificuldades para administrar suas publicações em forma de livros, opúsculos e folhetos.
Os que foram homenageados na tarde/noite desta terça-feira, puderam deixar a Câmara Municipal esperançosos de que o futuro literário guarabirense tende a ser muito menos sofrido, depois de ouvirem os pronunciamentos rápidos dos vereadores Marcelo Bandeira, Renato Meireles e Leonardo Macena.
Valeu vereador Renato Toscano!