ARTESANATO DE SISAL
Sempre compreendi que o ser humano pode viver muito bem no lugar onde nasceu, desenvolvendo toda a sua capacidade de produção material, cultural e educacional, desde que os governantes abandonem o engodo e a inércia e assumam de fato e de direito as administrações para as quais um dia se habilitaram.
Nem sempre é preciso ter que sair do seu torrão natal, em busca de melhores condições de vida, porque não há cidade por maior que seja, capaz de absorver todos os que a buscam na esperança de prosperidade e vitória. Se de fato tudo de bom pudesse acontecer aos que ali vão, nos grandes centros tudo seria maravilhoso, não haveria mendicância e nem fome, pois os bons empregos e salários eficientes estariam acolhendo a todos os habitantes, não é verdade?
Ao final da busca frenética enfrentada pelo homem residente nas grandes cidades, vemos as cadeias e presídios completamente inchados e superlotados, sem falar na vergonha dos parentes que nada podem fazer para resgatar a dignidade e vida dos seus entes mais queridos, que um dia partiram do torrão natal em busca do “sonho” de viver bem.
Lendo na internet um artigo da prefeitura municipal de Barra de Santa Rosa, município localizado na Região Agreste da Paraíba, vi que a comunidade rural de Cuiuiú, através de quase 100 famílias de agricultores, produziu em 2010, excelente material artesanal composto de bolsas, cestas, porta-revistas e guardanapos, caixas, bandejas e luminárias de chão e teto, sendo esses produtos levados para o sul do país e exposto à clientela brasileira e estrangeira, em local pré-determinado para esse tipo de exposição.
Os artesãos de Barra de Santa Rosa, substituíram a produção de corda de fibra de sisal por esses novos artigos e se organizaram em uma Associação Comunitária Para o Progresso dos Moradores de Cuiuiú, e criaram os produtos com tal carinho e esmero que já invadem o mercado exterior. A qualidade é o mais importante para os artesãos paraibanos de Barra de Santa Rosa, uma vez que aí está em jogo o meio de vida de dezenas de famílias, e o Pão de Açúcar do Rio de Janeiro, expôs os seus artigos em prateleiras e estandes muito tendo tido uma aceitação surpreendente. Em 1997, deu-se uma parceria entre o Programa de Estudos e Ações do Semi-Árido Paraibano (Paesa), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Fundação Parque Tecnológico e o Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (Sebrae), que conseguiram mudar a realidade da zona rural de Cuiuiú, e substituir a antiga produção de cordas por esses produtos artesanais, permitindo que as famílias então envolvidas pudessem ganhar salários mais justos e decentes.
Uma outra razão para continuação do projeto, é que o homem permanece fixado á terra, e enquanto dela tira o seu sustento, se convence cada vez mais que é ilusório imaginar que na cidade está o seu e o futuro dos familiares.
O homem agrestino precisa estar ali para cuidar da produção do sisal necessário à fabricação dos artigos, bem como porque o projeto avança no sentido de produzir couros de bode e do peixe tilápia. Isso significa dizer que há uma franca evolução na produção artesanal, excelente para o município de Barra de Santa Rosa.
Também está nos planos dos artesãos de Cuiuiú, produzir artigos com tonalidades adquiridas pelo tingimento da fibra usando-se as cascas de cajueiros, urucum, aroeiras, quixabeira, jurema preta, avamoura, açafrão, arnica e angico. Já aprenderam as técnicas com os cearenses, é pô-las em prática e mãos à obra Paraíba.
FONTE: Governo Municipal de Barra de Santa Rosa - PB