segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MEMÓRIAS – ZÉ SANTOS


Como não ser apaixonado por coisas e pessoas da terra que a gente aprendeu a amar graças à educação que os pais nos deram?

Há um blog que me chama muito a atenção por isso mesmo, o da senhora Lusa Vilar, pernambucana de Itapetim, que anuncia ao mundo todo o seu amor pelos familiares e berço natal, sem nada exigir em troca. Poderia simplesmente estar gozando do carinho e apenas isso, da família e do esposo, na bela cidade do Recife... Talvez na sua vida não haja um dia ou instantinho só, que não reverencie sua gente, sua terra e seus familiares.

Do seu Blog reproduzo atrevidamente, sem lhe ter solicitado permissão, o belo poema de um homem do povo que foi prefeito e vereador em Itapetim, bela terra do Pajeú pernambucano, senhor Zé Santos, que não fez da política um escuso meio de vida que o tivesse levado ao enriquecimento. Da farmácia de João dos Passos, meu amigo, vi esse exemplo de homem público passar algumas vezes pela praça principal da cidade, e guardei a sua imagem pela fibra e caráter de um grande homem.

Conheçamos a sua alma de poeta, riqueza que Deus lhe deu, além da humildade.

SOU EU

Se eu tivesse a memória como eu tinha
Eu deixava num canto reservado
Um livrinho dizendo o meu estado
Que parece com o sol à tardezinha

Me lembrei de um certo quarto e da cozinha
Até meu travesseiro foi mudado
Ao pensar tudo isto estou cansado
E Maria, coitada, está sozinha

A distância me mata de saudade
Visitá-la, meu Deus, tanta vontade!
Visitá-la, meu Deus, que coisa bela!
Será que essa dor muda de rumo?
Vou pensar como é que eu me acostumo
Porque sofrer entre nós dois é eu e ela!

Afinal eu cheguei onde eu estou
Submisso, coitado, e sem prazer
Procurando um caminho de viver
Perguntei a mim mesmo: Pra onde vou?
Até parece um decreto que deixou
E no silêncio da vida vai dizer
Quando um dia alguém aparecer
E as lembranças de tudo ja passou!

E assim vai passando lentamente
O prazer de amar é diferente
O meu mundo, meu caro, já morreu
Se alguém se lembrar o que eu já fiz
Um retrato guardado ainda diz
Essa sombra oculta é mesmo EU.

FONTE: Blog Raízes