terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MONOPÓLIO EM EVENTOS

Lendo na internet alguns acontecimentos do carnaval do Rio de Janeiro e de outras grandes cidades brasileiras, tive a atenção atraída pela fotografia da atriz Susana Vieira, que num camarote chorava copiosamente o seu desgosto, por ter sido impedida de participar do grande e monumental desfile da Escola de Samba Grande Rio, em 2007, porque simplesmente havia confirmado presença num camarote de uma importante marca de cerveja, diferente daquela assumida pela Escola.


Bastou isso para me fazer lembrar que a Festa da Luz, a maior e mais tradicional festa de padroeira da região, sendo por muitos considerada a segunda maior do Estado da Paraíba, perdendo apenas para a Festa das Neves da capital, tem problema parecido e semelhante antes e durante a sua realização.

Nos momentos dos preparativos para esse evento de rua, as empresas revendedoras de cervejas, refrigerantes e bebidas quentes, apresentam as suas propostas de ofertas como barracos, mesas, cadeiras, camarotes e outros patrocínios. Aquele que melhor oferta faz, é o escolhido e a marca que representa passa a ser a única consumida durante todo o período da festa.

Isso geralmente ocasiona certos dissabores porque os comerciantes que durante a campanha eleitoral se assumiram favoráveis ao prefeito, geralmente o procuram querendo dividir a venda dos produtos, e as grandes empresas só assumem a festa se nenhuma outra marca vier a ser oferecida nas barracas, pavilhão e outros semelhantes. Caso seja encontrado outro tipo de bebida sendo vendido no pátio do evento, o contrato será rompido, trazendo prejuízos à edilidade.

Somente no período em que assumi a secretaria municipal de cultura e turismo (2006-09), na gestão da prefeita Fátima de Aquino Paulino, é que passei a compreender como as coisas aconteciam antes e durante os festejos promovidos com o apoio e respaldo da edilidade. E as reclamações eram muitas, com relação à monopolização da festa, por um determinado tipo de marca.

Os que procuram conseguir um pequeno espaço buscando ganhar algum dinheiro durante as festividades, já são avisados que os produtos a serem consumidos pelo público participante, devem ser de tal marca, sob pena de não poder trabalhar, até porque as mesas, cadeiras e barracos são oferecidos por essa mesma marca ganhadora da concorrência. Assim, compreendo a situação delicada que viveu a atriz global Susana Vieira.

Ninguém está imune a esse tipo de exigência, quando há livre concorrência das empresas que se habilitem a ocupar a festa e durante todo o período. Ademais os custos de tão significativo evento são por demais elevados, pelo que a edilidade sempre abre as portas à concorrência, na tentativa de oferecer uma melhor e brilhante festa ao público do município e da região, sem gastar tanto dos cofres públicos.

FONTE: br.omg.yahoo.com