Infelizmente se cumpriu a decisão de fechamento definitivo da Casa de Saúde e Maternidade Senhora da Luz, que por tantos e tantos anos serviu aos guarabirenses e a todos que a procuravam diuturnamente, em favor da saúde e da vida. Ninguém se sensibilizou com os apelos feitos desde 2010, pela sociedade guarabirense e pela própria imprensa, para que o Estado dela se ocupasse e a fizesse continuar servindo aos pacientes do SUS e às mulheres que ali se tornavam mães.
O prédio e seus equipamentos foram vendidos a um particular, que também tem uma história de compromisso e de trabalho com Guarabira e sua gente, para n ao mencionar com outros municípios da nossa região. Hoje vimos o prédio fechado e às escuras. Onde havia vida, vimos solidão, apenas. Porém, o que se comenta é que será possivelmente reaberta, modernizada e totalmente reorganizada. Nada afirmamos, porque não conversamos com o novo proprietário daquela antiga Casa de Saúde. Enquanto isso, alimentamos a esperança da sua reabertura com os profissionais de saúde necessários à celebração da vida e da recuperação da saúde.
Dezenas e mais dezenas de médicos e enfermeiras deixaram sadiamente gravados os seus nomes na memória dos pacientes, que lhes buscavam, no momento angustiante da doença e da dor. Ao longo da sua existência, a Casa de Saúde que tão pequenina nasceu, do esforço conjunto de alguns médicos dedicados á profissão e ao trabalho, doou a todos os municípios que a procuraram, mães e mais mães que voltaram para casa agasalhando nos braços o fruto do seu amor e o sacrossanto resultado do trabalho médico em favor da maternidade.
Houve mais sorrisos do que choro, enquanto serviu a todos indistintamente, disso não há a menor dúvida. Muitos ali chegaram chorando e se retiraram com um sorriso de felicidade estampado na face. Era a celebração da vida, da solidariedade humana, do calor e do carinho nascido na cama do apartamento ou da enfermaria mais humilde.
O dinheiro nem sempre foi a tônica maior para fazer do atendimento médico hospitalar, o único passe para o internamento, a cirurgia e o restabelecimento pleno. Tantos e tantos sabem disso, que estampam no rosto e nos gestos uma demonstração maior de carinho e reconhecimento. Só no olhar entre os servidos e os que serviram, se poderia divisar o tamanho da solidariedade humana.
Na luta para atender bem e servir sem olhar a quem, um casal se sobressaiu ao longo dos anos de trabalho da Casa de Saúde, e hoje de cabelos prateados, Geraldo e Terezinha Camilo, têm consciência de que cumpriram com o seu dever e responsabilidade. Mas são humanos e cansaram. Precisam viver um pouquinho para si. A hora é essa e “quem sabe faz a hora”, já dizia o poeta Geraldo Vandré.
Incansavelmente ambos ali estavam, diariamente, um ao lado do outro administrando tudo de forma cuidadosa e se amparando, o que era importantíssimo para o fortalecimento do casal. Diríamos que esqueceram de viver, porque fizeram a opção de servir. E Geraldo Camilo assim vinha trabalhando e convivendo com a população de Guarabira e de outros municípios, desde os velhos tempos do antigo SAMDU, atrás da prefeitura ou na rua Desembargador Pedro Bandeira, logo após a ponte da rua Getúlio Vargas.
O casal guerreiro cumpriu com a sua obrigação. A ele o nosso reconhecimento.