A SEMANA SANTA
Na verdade a Semana Santa é aguardada ansiosamente por milhares de pessoas anualmente, não pelo fato de se querer refletir sobre o que representou Jesus Cristo para a humanidade e o significado maior do seu sacrifício, mas por muitas outras razões.
É aguardada por imensa quantidade de pessoas, porque nela encontra mais um feriadão e ótima oportunidade de reunião com os amigos mais chegados, para ao redor de lauta mesa de peixes, crustáceos e vinhos variados, dar expansão aos laços de amizade, enquanto a conversação circulará em todos os âmbitos da vida terrestre e regional, aprofundando o conhecimento sobre a vida alheia.
Nos recantos mais belos e isolados, de preferência para as confabulações, outros se reúnem comodamente para comemorar as grandes ideias surgidas para preparação de esquemas políticos que não têm o menor compromisso com o bem estar popular. É o instante maior da preparação da enganação do povo através de plataformas mirabolantes, enquanto já são traçadas metas e meios para afastamento – perseguição ou esquecimento – daqueles que já não são bem acolhidos no seio dos que se supõem triunfantes por antecipação.
Reflexão, amor, solidariedade e devoção em nome da religião e do sacrifício de Jesus, já não são mais praticados na Semana Santa, como antigamente, por grande parte do povo, e a sociedade capitalista caminha a passos largos para num futuro não muito longínquo, excluí-la completamente do calendário comercial.
Há cinquenta anos, mais ou menos, não se comia carne de forma nenhuma; animais não eram ordenhados, outros ficavam descansando do trabalho e não podiam ser açoitados, sobretudo, o jumento porque um deles conduzira Maria e Jesus, em dois momentos distintos; não se bebia nada diferente de vinho; não se ouvia música diferente daquela recomendada pelas igrejas; anedotas, principalmente imorais não podiam ser contadas; o jejum era praticado abertamente por quem queria se redimir com Deus; as mulheres não usavam vestidos curtos, decotados e/ou sem mangas; às procissões e nas igrejas católicas, a cabeça feminina sempre estava coberta por um véu, em respeito ao Senhor; muitos soltavam aves engaioladas; nas igrejas católicas muitos cidadãos da comunidade se posicionavam devidamente trajados, em vigília ao Senhor Jesus.
O comércio fechava mesmo, porque sabia do valor e do significado da Sexta-feira Santa. Era tão forte que muitos não tomavam banho, outros não faziam o cabelo e a barba, empresas de ônibus paravam completamente as suas atividades, grande parte dos motoristas de praça (taxistas) também não trabalhavam, salões de beleza encerravam os seus atendimentos.
Os prostíbulos fechavam, também, completamente. O namoro deveria ser comedido. Era um dia de respeito, sim senhor.
A meninada sempre estava sendo observada pelos pais e/ou pessoas mais velhas, para não dizerem palavrões.
Na atualidade, não precisa se dizer muita coisa, basta estar à beira mar para assistir aos desfiles de mulheres de corpos belíssimos e seminus. Ou ir aos bailes funkys que são realizados nos grandes centros, para se ter ideia do respeito que se está nutrindo pela data da morte de Jesus, ou pela Semana Santa.