sábado, 16 de junho de 2012

A FESTA DA MARCAÇÃO DE GADO

A convite do velho amigo e companheiro Zito Alves, que em Guarabira exerceu o cargo de secretário municipal, na gestão Jáder Pimentel (1993-97), viajamos ontem pela manhã até a zona rural de Mulungu, à fazenda do médico João Pimentel Neto, que estava realizando a vacinação de parte do seu gado.

Vários peões se achavam presentes na varanda da casa grande, saboreando macaxeira com carne assada, muita aguardente e cerveja, quando ali chegamos e recebidos pelo dono da casa e sua companheira Fátima, nos incorporamos ao grupo. Zito Alves já é íntimo da casa, devido a amizade pessoal e política com os familiares de Joãozinho Pimentel.

Dentre todos, encontramos o ex-candidato a deputado pelo PSB guarabirense há alguns anos, João Ventão, figura folclórica muito querida pelo estilo de vida que adotou e por respeitar a todos que dividam com ele uma boa mesa de bar. Também encontramos o mecânico Severino Barriquinha, ex-osmarista convicto que depois se fez amigo e adepto da política do Dr. Pimentel Filho, de saudosa memória e pai do nosso anfitrião.

Conversa vai conversa vem, como em toda boa mesa de cachaça, contaram-se passagens alegres da vida de Barriquinha, do tempo em que bebia (e muito) e dançava coco-de-roda no bairro de Santa Terezinha, onde é residente até hoje.

Severino Barriquinha sempre que estava de “fogo”, por causa do excesso da branquinha, dizia frases que marcavam o momento. Num certo dia, ao chegar ao bar de Dianey onde já estavam o médico Joãozinho Pimentel e Fátima, sua companheira, e outros amigos, após ter tomado algumas doses ergueu a voz e filosofou: “se fui pobre não me lembro e se já passei fome estava dormindo”.

O bom de toda essa festa foi quando Barriquinha resolveu explicar um quase acidente que sofrera num dos carnavais de Guarabira. Anualmente descia da Santa Terezinha vestido de urso e cercado de pessoas que cantavam animando a troça, ia se dirigindo aos que passavam, às mercearias e casas residenciais de pessoas conhecidas, pedindo um trocado. Na roupa de urso tinha um bolso onde botava as moedas e notas de menor valor, mas tinha um localzinho na roupa que dava acesso ao bolso oculto do seu calção, onde ia guardando as notas mais graúdas recebidas em doação. No final da brincadeira, o dinheiro arrecadado era contado e pagava a farra do dia de carnaval do grupo todo. O dinheiro do calção, sobrava para o urso.

Na mercearia de Zé Viegas, à rua da Barra (Getúlio Vargas), alguém ateou fogo na roupa do urso, feita de cordões e muitas tiras de tecidos, e ao se dar conta de que estava aumentando não lhe sobrou outra alternativa senão correr e pular da ponte dentro do rio e ai sair rolando até que conseguiu apagar o fogo. Por sorte, não saiu ferido o nosso artista Barriquinha.