OPERAÇÃO “PÃO E CIRCO”
Com as detenções feitas na manhã de hoje, 28, de gestores municipais e alguns dos seus auxiliares, em algumas cidades paraibanas – cerca de 14, conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime (Gaeco) –, por terem celebrado contratos supostamente superfaturados com bandas que se apresentaram nas recentes festas juninas nas cidades sedes dos seus municípios, torna-se evidente que a justiça está alerta e disposta a fazer valer a lei contra a improbidade administrativa.
Enquanto alguns municípios viram seus gestores detidos, outros tiveram a visita dos representantes da lei, representados pela Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba e Controladoria Geral da União (CGU), realizando mandados de busca e apreensão.
Em verdade, sabe-se que a farra vinha sendo executada há um bom tempo, sem que os responsáveis por esses atos se preocupassem com qualquer atitude combativa por parte da lei, como se tivessem a certeza plena da impunidade ou porque imaginavam que as atitudes lesivas aos cofres públicos fossem tão perfeitas que jamais seriam detectadas.
Ao celebrarem contratos valiosíssimos de bandas renomadas, alegravam ao povão que nunca imaginara que estava sendo ludibriado.
Obras públicas, educação, saúde e assistência social, da maior importância para o desenvolvimento urbano, deixavam de ser executadas para que rios de dinheiro fossem canalizados para essa vertente de festas populares. Ninguém estava preocupado com o povão e em elucidar os seus problemas. A esse, parecia que apenas a musicalidade e alegria lhe faltava, enquanto alguns enricavam a olhos vistos. Emissoras alardeavam que alguns empresários ofereciam a prefeituras pacotes e mais pacotes com prazos de quitação a perder de vista. A coisa estava muito clara, e os aguçados olhos da justiça viram e enxergaram muito longe. Ai estão os resultados.
A expressão “pão e circo” que inspirou a operação policial de hoje, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco/MPPB) e Polícia Federal, com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU), tem origem em Roma antiga, cujo crescimento trouxe problemas sociais aos imperadores.
A grande massa popular constituída de desempregados campesinos migrou para a cidade, buscando emprego e melhores condições de sobrevivência. Enquanto os soldados romanos esvaziavam os cofres públicos através dos seus salários, ao povo tudo faltava, além de emprego.Receosos de algum levante que pudesse ser promovido pela classe mais pobre, os imperadores romanos abriam as suas arenas (Coliseu era o principal anfiteatro de Roma, onde aconteciam combates entre gladiadores ou entre esses e animais ferozes) e promoviam lutas e mais lutas que podiam ser assistidas gratuitamente pelo povo e ainda recebia algum tipo de alimento. Assim, a enorme massa pobre romana esquecia os seus problemas e dificuldades, graças à “generosidade” dos imperadores e as chances de revolta se tornavam mínimas, então.
Para muitos governantes atuais, lamentavelmente a alegria "supera" a fome e as dificuldades do seu povo.
FONTE: PORTAL INDEPENDENTE