Palestinos com nacionalidade europeia estão deixando região; 62 já
morreram e 400 ficaram feridos na maior ação desde a Guerra dos Seis Dias.
Com o aumento da violência dos bombardeios e da
ação militar por terra na Faixa de Gaza devido à segunda fase da Operação
Margem Protetora ou Penhasco Sólido, cerca de 300 cidadãos europeus optaram por
deixar a região como informou o jornal El País. A situação se agrava a
cada hora. Somente na manhã deste domingo (20/07) um massacre no bairro de
Shayahía, um dos mais populosos de Gaza, deixou 62 civis mortos e 400 ficaram
feridos. De acordo com oficiais israelenses, 13 soldados morreram. A ação é
considerada a maior desde a Guerra dos Seis Dias em 1967.
Com estes ataques, se aproximam dos 390 as vítimas
mortais em Gaza, enquanto o número de feridos supera os três mil, desde o
início da operação militar israelense, 12 dias atrás.
O professor espanhol Nafez Abu Jarad, doutor em
ciência política que leciona na Universidade al Quds de Gaza observou ao
periódico espanhol que “o que está ocorrendo revela que o Hamás está muito
forte”.
Ele considerou, no entanto, “que o grupo deveria
ter aceitado o cessar fogo proposto pelo Egito” apesar de não acreditar que a
situação mudaria muito. “Duvido que Israel levante o bloqueio a Gaza porque é
muito provável que se fizesse, o governo [do primeiro-ministro Benjamin]
Netanyahu cairia automaticamente”.
Muitos palestinos que viveram na Europa têm dupla
nacionalidade e estão utilizando sua nacionalidade europeia para deixar Gaza,
pelo menos momentaneamente.
O Cônsul Geral Adjunto da Espanha em Jerusalém
explicou que somente hoje 60 pessoas, das quais 50 possuem passaporte espanhol,
pediram ajuda. Elas serão levadas para um hotel de Ammán, na Jordânia, onde
poderão ficar tranquilas até o fim dos ataques.
Cessar-fogo – O cessar-fogo promovido pela Cruz Vermelha e
acordado entre Israel e o Hamas para evacuar palestinos de Shayahía em
Gaza neste domingo durou pouco. No momento em que o exército de Israel
confirmou que aceitava o cessar-fogo, uma procissão de ambulâncias e viaturas
de resgate se dirigiu ao bairro. Entretanto, poucos minutos após o começo da
trégua humanitária, recomeçaram as explosões, causando caos na caravana de ambulâncias.
Milhares de pessoas tentam abandonar Shujaiya,
objeto desde ontem à noite de intensos e repetidos bombardeios do Exército
israelense por terra e ar.
Responsáveis de saúde temem que o número de mortos
possa crescer de forma considerável ao longo do dia, pois a população que foge
fala de uma grande destruição. Além disso, os serviços de emergência não podem
chegar à zona devido à intensidade dos tiros de canhão, que se repetem a cada
dez segundos.
Fonte: Portal Opera Mundi
