O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo
Cunha, disse, em pronunciamento de cinco minutos em rede nacional, que a Casa
vai trabalhar ‘com independência e coragem para atender às demandas do provo
brasileiro’. A fala de Cunha se estendeu das 20h25 às 20h30, tempo suficiente
para gerar indignação na Internet e nas ruas. Houve registros de ‘barulhaço’ em
diversas regiões do Brasil. No Twitter, a hashtag #CunhanaCadeia esteve entre
as mais comentadas do mundo durante o discurso do presidente da Câmara.
Em São Paulo, panelas foram batidas na Vila
Madalena e no Alto da Lapa, bairros da zona oeste da capital paulistana. Em
alguns bairros da região central, como Higienópolis, Bela Vista, Cambuci e
Aclimação, além da região da av. Paulista, também houve panelaço.
No Rio de Janeiro, foram ouvidos sons de panelas
batendo em pelo menos quatro bairros da zona sul – Ipanema, Botafogo, Flamengo
e Laranjeiras –, além da Tijuca, na zona norte.
No Centro-Oeste, foram registrados episódios em
Goiânia e Brasília.
No Nordeste, foram ouvidos protestos em Salvador,
Maceió, João Pessoa, Recife e Natal. Belém foi a capital do Norte onde houve
“barulhaço”.
Durante a tarde desta sexta, Cunha havia feito uma
tentativa de abafar os possíveis processos por meio de uma ação em redes
sociais, chamada de “aplausaço”. Não funcionou.
O DISCURSO. Na curta fala pré-gravada de
Cunha, o deputado afirmou que o trabalho na Câmara “é pautado pelas demandas da
sociedade”. O parlamentar fez um balanço do trabalho na Casa e apresentou
projetos já discutidos, como a redução da maioridade penal e a punição mais
severa para assassinos de policiais. “Trabalhamos também pelo direito dos
trabalhadores e tivemos apoio das centras sindicais. Aprovamos o fim da
reeleição e a PEC da Bengala”, disse. “O Brasil vive uma crise e Câmara a
avalia com critério. Vamos trabalhar com independência e coragem”, encerrou.
No fim do discurso, Cunha prometeu continuar
colocando em pauta as “demandas” da população. “Foi o povo que elegeu cada um
dos 513 deputados da Câmara. É para o povo que vamos continuar trabalhando. Com
independência, coragem, responsabilidade e eficiência”.
CORRUPÇÃO. Apesar do clima de guerra entre
Cunha e o governo, por conta da delação contra o peemedebista na Operação Lava
Jato, o presidente mencionou apenas a crise econômica em seu discurso e não
falou sobre corrupção. Eduardo Cunha é acusado de receber 5 milhões de dólares
em propina.
Fonte: Pragmatismo Político
