“Minha cabeça presa entre dois mundos”. Nunca na
história recente do país, esquerda e direita estiveram em campos tão opostos. O
fenômeno das redes sociais se tornou um raivoso palanque eletrônico onde todos
embarcam no absolutismo ideológico, ainda que muitos nem saibam direito o que
diabos significa política de esquerda ou política de direita. Simplesmente
entram na onda e escolhem um lado. Ou se é PT ou se é PSDB. Dilma ou Aécio. Ou
se é totalmente a favor da redução da maioridade penal, ou totalmente contra. O
racismo, a xenofobia, o homossexualismo e tantos outros temas delicados, são
discutidos de forma odiosa. Nossa centro-esquerda hoje é órfão. O combalido PT
deixa um vácuo em aberto que não é preenchido. Sua representatividade perde
cada vez mais força. O radicalismo dos partidos menores e a divisão do PSB
nacional, faz com que esse enfraquecimento seja ainda mais acentuado. Na
contramão disso tudo, emerge perigosamente uma direita conservadora e cada vez
mais compartilhada e disseminada entre as massas. Jovens migram numa proporção
cada vez maior para campo ideológico de direita. A classe média baixa, a mesma
que o governo petista contribuiu para sua ascensão social, se acosta
inocentemente aos mais abastados de poder. Não sabem eles, que seus interesses
vão de encontro aos interesses da classe alta e média alta. Apesar de
fundamental no apaziguamento dos conflitos sociais do país, o “LULISMO” perde
força e mostra sua efemeridade. A mudanças sociais verdadeiramente
estruturantes foram colocadas num segundo plano. Nada é por acaso. Temos uma
geração de jovens que convivem e são convidados diariamente a trilhar o caminho
do crime. Desassistidos, muitos deles aceitam o convite. Esqueceram-se de
estruturar a base. Por ingerência ou por conveniência. Talvez pelos dois
motivos.
Fonte:
Blog do Tião Lucena
