sábado, 8 de outubro de 2011

OS SINOS SILENCIARÃO?


A história do sino, há séculos, está ligada à vida do povo na cidade, desde o momento do nascimento da criança, ao término da vida, bem como à condução de alguém á última morada, no campo santo. Assim, tocava na alegria e na dor, convidando a população para as missas, procissões, casamentos e batizados, bem como anunciando sinistros e possíveis ataques, em épocas mais remotas. Marcava até as horas na existência do cidadão e da cidade. O significado do seu toque dependeu muito da região em que estava localizado.

No cotidiano do homem paraibano, principalmente aquele que reside na cidadezinha mais distante, o som dos sinos tem um forte significado, quase que poético diríamos, e dissociá-lo disso é como se estivesse lhe matando o costume. Se a alguns não agradam os seus sons, isso não pode ser extensivo a toda uma população, sobretudo a que professa o catolicismo, para não insistirmos na preservação da tradição.

Se os seus sons ecoam fortemente aos ouvidos daqueles que estão localizados mais próximos da capela ou da igrejinha, diz um adágio popular muito forte que “os incomodados é que se mudem”, até porque quem primeiro se instalou foi o templo religioso e à sua volta dele sempre cresceram as cidades. Eles foram construídos um dia para difundir a fé e trazer conforto espiritual aos que acreditam na vida após a morte. Repercutem bem e muito fundo naqueles que desejam sempre elevar a Deus uma prece, ainda que muda. Diz Carmela Werner, que para muitos o sino é um “arauto de Deus, colocado entre o céu e a terra”.

Não se conhece historicamente, o seu criador, da maneira que o conhecemos atualmente, porém, dizia Santo Isidoro de Sevilha (falecido em 636), que as suas origens são italianas, da região da Campânia, provavelmente da cidade de Nola.

No Império de Carlos Magno (768-814) os sinos já eram conhecidos e um deles, por sua autorização, foi construído por um determinado fundidor, e erguido até o campanário de uma igreja, onde sempre seria tocado para ser ouvido pelo povo.


Em Pirpirituba, cidade vizinha a nossa Guarabira, alguns servidores da agencia local do Banco do Brasil, entraram com uma reclamação no ministério público para que o único sino da igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário pudesse ser silenciado e deixasse assim de exercer a sua nobre função, porque o som estava incomodando-os, conforme têm noticiado desde ontem, as rádios da região. Assim, está disciplinado pela promotoria pública o funcionamento – nunca acontecera isso antes –, do sino da igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição. A diocese de Guarabira, porém está contestando através dos seus advogados, essa medida que tem causado muita polêmica desde a assinatura do TAC – Termo de Ajuste de Conduta, entre representantes daquela paróquia e servidores do Banco do Brasil.


Por volta de 1860, cerca de trinta famílias agricultoras residiam no lugar Pirpirituba, onde já existia um cemitério público. Construiu-se nesse ano a primeira capela, muito simples, de taipa, pelas mãos dos escravos do capitão Luiz Correia de Melo.

Tempos depois chegaria ao lugarejo o padre Ricardo José Brasiliense, que embelezou a capela e o Altar-mor. Diariamente caminhava até o Engenho Salito em oração, até o Cruzeiro e o Rio, tendo falecido numa dessas caminhadas, no Alto da Caixa D’água, é homenageado pela conservação de um Cruzeiro, enquanto o rio passou a ser chamado Rio do Padre.

A 23 de outubro de 1916, Pirpirituba recebeu a visita solene do arcebispo da Paraíba, dom Adauto de Miranda Henriques, que pediu à população a construção de nova igreja e casa paroquial. Regressou em 30 de abril de 1925 e elevou Pirpirituba a Freguesia da Paróquia de Guarabira.

Desmembrada, se fez Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, conforme Direito Canônico. A igreja matriz foi construída graças à orientação de frei Martinho, ajudado por generosas doações de agropecuaristas e comerciantes locais como Antonio Leopoldo Batista, José Viana, Oliveira Lucena e Clodoaldo Soares de Oliveira.

FONTE: Anuário 2003 - Diocese de Guarabira