MUNDO-SERTÃO
Num certo dia de outubro do ano passado, fiz amizade pela internet com o escritor de São José do Egito, como ele mesmo diz, criador de cabras e ovelhas na fazenda da Mugiqui, Pedro Nunes Filho, residente hoje na praia de Boa Viagem, belíssima área banhada pelo Oceano Atlântico, na cidade do Recife, capital de Pernambuco.
Desse escritor adquiri 2 livros: Guerreiro Togado, do qual falarei em outra oportunidade e Mundo–Sertão – terra não revelada, que muito me chamou a atenção pela linguagem simples utilizada pelo autor e por tratar nobremente da riqueza cultural do espaço geográfico a que se dedicou.
Aos que gostam de uma boa leitura, encontrarão na obra muitas histórias que falam como o próprio título anuncia, das terras sertanejas e caririzeiras da Paraíba e Pernambuco, com quem o autor tem vínculos profundos e por isso mesmo tão ricos e vastos conhecimentos.
O autor também detalha e enfatiza os valores do sertanejo desde as suas origens, e retrata dezenas de acontecimentos por ele protagonizados ao longo da sua existência. Na região, andar a pé e a cavalo não era opção e as distancias eram vencidas persistentemente pelo homem, no cumprimento de suas obrigações, chovesse ou fizesse sol. Era preciso sobreviver correndo da policia – se cangaceiro – ou para vender produtos e mercadorias – se caixeiro viajante.
Conforme o próprio autor Pedro Nunes, “Mundo–Sertão não é livro para repousar em fundo de gaveta. Menos ainda para enfeitar estante. São cantos e contos para serem lidos, relidos e passados à frente...”
A leitura é um verdadeiro deleite, remetendo o leitor às terras em que a água é apreciada diante de sua escassez e onde o homem se revela altaneiro e valente a lutar pela vida, ainda que em determinadas ocasiões imagine que tudo é em vão.
Mostra em contos, razões de vindita que conduziram o homem ao cangaço e formação de grupos temidos. Detalha toda a sua luta para se manter distante da família, habitando grotas e serras, distante de tudo e de todos, percorrendo apenas estradas que lhe mantenham oculto de olhos curiosos, porque viver é preciso.