quinta-feira, 22 de março de 2012

EM DEFESA DO RIO PARAÍBA

São poucas as autoridades políticas paraibanas que se preocupam com a preservação do meio ambiente, e quando surge uma catástrofe por menor que seja, eis que surgem vozes e mais vozes procurando justificar os seus efeitos sobre a população ou mesmo atribuindo respons
abilidades, aos mais fracos. Para esses, o importante é se manter distantes de apresentação de soluções, porque essas poderão prejudicar seus padrinhos eleitorais, que no devido tempo distribuem generosas doações financeiras, para suas campanhas políticas.

Não é de agora que o rio Paraíba vem sendo agredido pelo homem, pelo que conforme denúncias feitas pelo deputado estadual frei Anastácio – importante figura da política petista deste Estado –, sobre descasos e desmandos praticados por empresários na coleta diária de areia das suas margens, vendida nas cidades por R$ 80,00 (oitenta reais) o caminhão.

Esse deputado desde o seu primeiro mandato na Casa de Epitácio Pessoa (1998), luta incansavelmente em defesa dos mananciais do nosso Estado, notadamente do rio Paraíba.

No ano passado, o frade petista também denunciou às autoridades da tribuna da Assembleia, as mesmas ações de extrações de areia do Paraíba, porém, os absurdos continuaram acontecendo à luz do dia e à vista de todos, nas regiões dos municípios de Cruz do Espírito Santo e São Miguel de Taipú.

(Igreja matriz da cidade de Cruz do Espírito Santo)

Na manhã desta quinta-feira, 150 pessoas assentadas do movimento de reforma agrária, unidas a membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Fórum em Defesa do rio Paraíba, se dirigiram até às margens do Paraíba, nas imediações da cidade de Cruz do Espírito Santo, e
fizeram com que fossem paralisadas as máquinas que trabalhavam na extração de areia e na oportunidade, forçaram os trabalhadores a devolvê-la ao mesmo local de onde fora retirada.

Por causa da prática da extração de areia ao longo de quase duas décadas, o rio se desviou em direção da cidade, ocasionando-lhe sempre e sempre inundações terríveis e prejudicando os seus moradores. A propósito, por causa da enchente, em 2011, a histórica Ponte da Batalha, que liga essa cidade à de Sapé, chegou a ser destruída e por muitos meses o tráfego de veículos ficou interrompido.

(Ponte da Batalha sobre o rio Paraíba, entre Sapé e Cruz do Espírito Santo - enchente de 2011)

O rio perdeu todas as espécies de peixes que o habitavam e a vegetação existente nas suas margens (mata ciliar) desapareceu completamente, por causa da ação irresponsável do ser humano que em busca de lucros, trabalha com toda e qualquer possibilidade de sua obtenção, não lhe interessando o bem estar de ninguém.


No município de São Miguel de Taipú, também houve movimentação idêntica à de Cruz do Espírito Santo, em sinal de proteção ao rio Paraíba, promovida por agricultores, coordenadores da Comissão Pastoral da Terra e membros componentes do Fórum de Defesa do rio Paraíba. Ali mandaram embora os que estavam trabalhando na extração de areia, também.

Até quando os denunciantes dos males causados ao histórico rio Paraíba vão continuar sem audição por parte das autoridades constituídas? Até quando terão que tomar à sua responsabilidade, ações que seriam de órgãos governamentais?

É chegada a hora dos governantes tomarem a si a responsabilidade de ações como as de hoje, antes que seja tarde e aconteçam cenas de violência, onde sempre quem paga são os pequenos, enquanto poderosos e grandes empresários ficam de fora.