sexta-feira, 13 de abril de 2012

O VALOR DO PROFESSOR

Nunca concordei com palavras que denigrem ou simplesmente desprezam a profissão de professor, proferidas sempre numa atitude de revolta e frustração, por causa de atitudes políticas dos governantes ou acordos espúrios formulados entre representantes da classe e dos gestores públicos. E afirmativas assim, sempre podem encontrar eco e desestimular os que seguem em frente, buscando uma formação acadêmica nesse campo.

Na Universidade onde estive por um longo tempo, ao conversar com o alunado sobre as diversas e belíssimas profissões existentes, sempre incluí a classe do magistério como importantíssima e capaz de oferecer sempre e em todos os momentos, emprego para quem dela fizesse bom uso.

Aqui e acolá, atualmente, geralmente tenho me deparado com depoimentos de ex-alunos, pessoalmente ou pela internet, afirmando-me que estão no exercício dessa profissão e dela estão tirando o sustento próprio e dos familiares, em empregos que conseguiram na Paraíba e/ou no Rio Grande do Norte.

Isso muito me alegra porque sinto que não os enganei, quando os incentivei a seguir sempre em frente. Nunca lhes mencionei que professor ganharia rios de dinheiro, porém, que sempre havia um emprego para o mestre capaz e estudioso, principalmente.

Dezenas de outras profissões são exercidas por pessoas que para ganhar melhor, precisam trabalhar em quantos empregos? Um professor pode fazer parte da rede oficial de ensino municipal ou estadual e também dar aulas em cursinhos e em educandários da rede particular. Não é verdade? É só organizar o seu horário que emprego não lhe faltará. Pode demorar um pouquinho a consegui-lo, mas virá, certamente.

Li hoje pela manhã um pequeno texto do mestre Paulo Freire e destaquei um trecho que julguei importante. Referindo-se á profissão de professor, diz ele em determinado momento que

“... poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.” [...]

Ninguém poderia se expressar melhor sobre o assunto e vocação, que Paulo Freire, reconhecidamente maior autoridade educacional no Brasil. O que afirmou é a pura verdade vivida pela classe de lentes. Sempre entendi que professor é nobre,e a classe enfrenta muitos desafios e dificuldades, porém, é de uma importância sem par, para a formação intelectual do alunado e o crescimento do município, do Estado e do país. E isso disse-o muitas vezes não apenas na Universidade, porém, nos Centros Educacionais Nossa Senhora da Luz e Osmar de Aquino,quando ali estive ministrado aulas de OSPB e História do Brasil e Geral.

Sempre acreditei na profissão, ainda que as autoridades brasileiras, nos três níveis, lhe deem pouco valor em termos salariais.