EFEITOS DO SISMO DO HAITI
O dia 12 de janeiro de 2010, ficou marcado na memória da população haitiana, quando um sismo catastrófico ocorreu a menos de 30 quilômetros da capital Porto Príncipe, e segundo a Cruz Vermelha, afetou cerca de 3 milhões de pessoas, tendo morrido em consequência, de 100 a 200 mil.
Em 21 de janeiro, o governo haitiano anunciou oficialmente que 80 mil corpos foram sepultados em vala comum.Além dessa situação de penúria dos vivida pelo povo haitiano, foram afetados ou destruídos equipamentos patrimoniais importantes para a organização administrativa do país como Palácio Presidencial, edifício do Parlamento, a Catedral de Notre-Dame de Port-au-Prince, prédio sede da Missão das Nações Unidas, a principal prisão do país e todos os hospitais.
O caos se instalou no Haiti e a partir desse momento milhares de sobreviventes conseguiram alcançar outros países, onde procurariam emprego e tentariam refazer suas vidas. Ao Brasil chegaram muitos desses haitianos através do Peru/Rio Solimões até alcançar as cidades de Brasileia-AC (1.200 pessoas) e Tabatinga-AM (mais de 1.000 pessoas).A Revista Carta na Escola, publicou reportagem de José Eduardo Rondon, sob o título “Diáspora haitiana”, detalhando a difícil situação vivida por aqueles que conseguiram alcançar à cidade Tabatinga. A sorte deles foi ter encontrado à frente da paróquia, o padre colombiano Gonzalo Franco que dos seus próprios recursos e doações do povo, tem conseguido dar almoço (única refeição) diariamente a aproximadamente 100 haitianos. O padre Gonzalo conseguiu também na comunidade, uma casa-base com três cômodos para abrigá-los, embora precariamente.
Um sanitário coletivo está sendo utilizado por mais de 40 pessoas, diariamente. Tudo é difícil para elas, que almejam um espaço para continuar vivendo enquanto organizam as suas vidas. Muitos dormem ao relento e vão vivendo da caridade humana, contudo, não mendigam e nem criam arruaças.
A cada dia, a sua situação fica pior, pois, não podem retornar ao seu país porque não têm dinheiro para custear as passagens e outras pequenas despesas, e nem podem continuar residindo nessas cidades ou seguir viagem pelo país, porque não estão legalizados.
FONTE: CARTA NA ESCOLA. Edição nº 65.