Prestes a ser denunciado na Lava Jato,
o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contratou um marqueteiro para tentar
melhorar a imagem. Valendo-se do cargo, ele convocou cadeia nacional de rádio e
TV na noite desta sexta-feira. No pronunciamento, fará propaganda de seus
primeiros meses no comando da Câmara dos Deputados.
A tropa de Cunha diz que sua gestão é
boa porque vota mais projetos do que as anteriores. A tese ignora o fato de que
quantidade não equivale a qualidade. Na verdade, a pressa só tem servido para
aprovar temas que interessam ao presidente da Casa.
Nesta semana, o peemedebista ganhou um
crítico de peso: o deputado Jarbas Vasconcelos, ex-senador e ex-governador. Com
a autoridade de quem sempre enfrentou os coronéis de seu partido, ele subiu à
tribuna na última terça para dizer o que pensa da gestão Cunha. Foi implacável.
Para o deputado, as manobras de Cunha
resultam em “votações precárias, interrompidas e remendadas”. O resultado,
afirmou, “é de uma mediocridade sem tamanho, longe do que anseia a sociedade
brasileira”.
Companheiro de Ulysses Guimarães no
velho MDB, Jarbas disse que votou em Cunha para derrotar o PT, mas está chocado
com o autoritarismo na cadeira que foi ocupada pelo Senhor Diretas [Ulysses].
“Estamos vivendo um momento de ditadura absoluta; ele faz o que quer”.
Jarbas decidiu protestar por causa do
pronunciamento de Cunha na TV. Segundo ele, a propaganda será enganosa. “É uma
esculhambação dizer que houve reforma política aqui”, afirmou. O deputado disse
que o momento é grave e pediu reflexão dos colegas. “A gente não pode deixar
ele ir à televisão para contar mentiras. Temos que enfrentá-lo”.
Fonte: Pragmatismo
Político
