Rejeitada
em abril pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e depois
abandonada pelo PSDB, a proposta de pedir o impeachment da presidente Dilma
Rousseff no Congresso deve voltar para agenda do Legislativo após o recesso.
Depois
de romper oficialmente com o governo no dia 17, o peemedebista decidiu tirar os
pedidos da gaveta e pediu que seus autores ajustassem os documentos dentro das
exigências regimentais. O procedimento é incomum. Quando as petições não se
enquadram no formato, elas normalmente são remetidas direto ao arquivo. A iniciativa
foi a senha para que os grupos de oposição à presidente Dilma Rousseff selassem
um pacto informal de não agressão com o presidente da Câmara.
Apesar
de ter sido acusado por um dos delatores da Operação Lava Jato de ter recebido
propina, Cunha será poupado nas manifestações contra a corrupção marcadas para
o dia 16 de agosto. Em contrapartida, os ativistas esperam que os pedidos de
impeachment, agora devidamente formatados e encorpados, sejam acolhidos.
Se
antes negava de forma veemente que não encamparia a tese, agora Cunha faz
mistério sobre a possibilidade de usar o expediente como mais um elemento de
pressão sobre o Planalto. Segundo um aliado, o presidente da Câmara sinalizou
que pode acolher os pedidos depois do recesso e antes das manifestações.
Procurado pela reportagem, Cunha preferiu não comentar.
Até
agora, 12 documentos foram protocolados na Casa, mas os mais consistentes serão
entregues até quinta feira. "Tivemos na sexta-feira uma reunião com o
(jurista) Ives Gandra e mudamos nossa argumentação. Acrescentamos pareceres dos
juristas Adílson Abreu Dallari e Bernardo Cabral, além dos argumentos do TCU
sobre as pedaladas (fiscais)", diz Carla Zambelli, líder do Nas Ruas e
porta-voz da Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, coalizão que reúne
dezenas de grupos anti-Dilma que estão organizando as manifestações do dia 16.
"Não vamos para cima do Cunha no dia 16. Ele tem um papel importante.
Nosso foco é o impeachment", completa.
O
Movimento Brasil Livre (MBL), que se reuniu com Eduardo Cunha depois da marcha
ocorrida em maio entre São Paulo e Brasília, também encorpou seu material.
"Nos baseamos na tese das pedaladas fiscais. Apresentamos o parecer
completo do jurista Adilson Dallari mostrando que a lei do impeachment é de
1950, portanto, anterior à reeleição", afirma Renan Santos, um dos líderes
do MBL.
Desde
a gestão do ex-presidente Fernando Collor, um presidente da Câmara não acolhe
um pedido de impeachment. Se Cunha romper a "tradição", os
requerimentos serão analisados por uma comissão composta por integrantes de
todas os partidos com bancadas da Câmara.
ENTUSIASMO. O rompimento de Cunha com o governo e
a manifestação do dia 16 reacendeu na bancada do PSDB o entusiasmo com a tese
do impedimento. Os tucanos reconhecem que Dilma ainda tem força para vencer em
plenário, mas avaliam que os pedidos já seriam mais um fator de desgaste.
"A crise se agravou e o evento do dia 16 tende a influenciar o que
acontecerá no dia 17. Se os pedidos tramitarem, o PSDB da Câmara votará a
favor", afirma o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), líder da minoria. Os
deputados tucanos retomaram a campanha pelo impedimento nas redes sociais.
"Amigos,
no dia 16 de agosto vamos voltar às ruas não mais para protestar. Agora vamos
pedir o impeachment de Dilma, responsável maior por um governo corrupto,
mentiroso e incompetente", postou no Facebook o deputado Carlos Sampaio
(PSDB-SP), líder do PSDB na Câmara. "Se ele (Cunha) quisesse arquivar, já
teria arquivado. A briga será rua versus plenário", completa o deputado
Jair Bolsonaro (PP-RJ), único parlamentar que pediu formalmente o impedimento.
Com informações do Estadão Conteúdo. Fonte: Notícias ao Minuto.