Por
Nonato Nunes
Amigo
leitor. Caiçara é uma pequenina cidade do agreste paraibano, mas que, para
orgulho nosso, se constitui hoje numa espécie de “oásis literário” em meio a um
“entorno desertificado”. E essa “esterilização de ideias”, patrocinada de
maneira deliberada, se processou ao longo do tempo numa incessante atividade de
desconstrução do Homem como ser pensante. Mas graças à ação construtiva e
conscientizadora de um idealista chamado professor
Jocelino aquela comunidade, quase perdida no meio do agreste seco e, em algumas
épocas, inclemente, de repente ressurgiu com uma nova filosofia de vida. E o
caminho não foi outro senão o do estímulo à leitura como fertilizante de uma
terra que passaria, desde então, a “manar leite e mel”. Hoje podemos dizer que
Caiçara se tornou uma espécie de “cidade do livro”, algo que nem as
mentalidades mais paleolíticas do governo federal deixaram de reconhecer, dando
ao município um prêmio na categoria “leitura”. O professor Jocelino e todos os
seus colaboradores são, sim, verdadeiros revolucionários na acepção benigna do
termo.
Recentemente, pela televisão, assisti
a uma excelente reportagem sobre a capital argentina no tocante ao cuidado que
eles têm com os livros e com o consequente estímulo à leitura entre todos.
Basta dizer que no país existem 25 livrarias para cada 100 mil habitantes. Já a
cidade de Buenos Aires detém o simbólico, mas significativo, título de “cidade
do livro”. E isso não é por acaso. É que as famílias argentinas têm, por
hábito, dar livros de presente aos seus filhos. Cedo os pais buscam despertar,
em crianças e adolescentes, o interesse pela leitura como componente essencial
para a formação de uma consciência cidadã. Por ali apenas saber ler e escrever
não são o bastante. É preciso também desenvolver o senso crítico como fator de
construção de uma identidade cultural consolidada e calcada no conhecimento. Os
argentinos têm, sim, razão para se orgulharem do país onde vivem e, mais ainda,
do nível intelectual de sua gente. E isso começou exatamente pelo programa de
construção de universidades nas terras colonizadas pelos espanhóis. Por aqui,
se não me falha a memória, a primeira universidade só veio mesmo em 1921.
Portanto, Buenos Aires, lá, e Caiçara,
aqui, são exemplos de como uma sociedade pode ser transformada a partir dos
postulados da educação como antídoto contra a ignorância e o atraso
sócio-cultural, responsáveis pelo desencadeamento de muitas outras mazelas
sociais. Ler livros é muito mais que adquirir conhecimentos. Significa também
“higiene mental”. Talvez o mais eficiente remédio contra a loucura humana. Será
que foi isso o que quis dizer Erasmo de Roterdã no seu “Elogio da loucura”?
O certo é que cá entre nós temos o
professor Jocelino com o seu “elogio da cultura”.
Um
abraço e até a próxima.
