O
pedido de acareação que pode colocar, frente a frente, o presidente da Câmara
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-consultor da Toyo Setal Júlio Camargo foi
protocolado nesta segunda-feira na secretaria da Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) da Petrobras. Cabe ao colegiado decidir se acata ou
não o requerimento da deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA) já que, pelo
Regimento Interno da Casa, a CPI pode funcionar normalmente durante o recesso
parlamentar que só termina em 1o de agosto.
De acordo com assessores, o presidente da CPI Hugo Motta (PMDB-PB) pode convocar sessão para votar o requerimento, mas, para a votação ocorrer, é necessária a presença de quórum mínimo de 14 deputados. Para evitar desgastes com risco de reunião esvaziada, a medida depende de levantamento para identificar quantos dos 27 parlamentares que integram o colegiado estariam dispostos a se reunir ainda em julho.
Um
dos delatores do esquema de corrupção na estatal, Júlio Camargo disse, na
última semana, que Cunha pediu US$ 5 milhões para viabilizar contrato de
navios-sonda da Petrobras e exigiu pagamento de propina ao lobista Fernando
Soares, conhecido como Fernando Baiano. O depoimento à Justiça Federal do
Paraná agravou as relações de Cunha com o Planalto.
O
parlamentar negou as informações prestadas por Júlio Camargo de que não tinha
feito a denúncia nos depoimentos anteriores e disse que o empresário foi
pressionado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que, segundo
ele, “atua à serviço do governo” em troca de sua recondução ao cargo. O mandato
de Janot na Procuradoria-Geral da República acaba em 17 de setembro e ele pode
ser reconduzido ao cargo pela presidenta Dilma Rousseff por mais dois anos, mas
precisa passar por nova sabatina no Senado.
Na
volta do recesso, a CPI ouve, no dia 4, o presidente da Mitsui, Shinji
Tsuchiya, e, no dia 5 de agosto, o presidente da Samsung no Brasil, J. W. Kim.
Os dois não compareceram à sessão do último dia 15 quando deveriam prestar
depoimento para falar sobre o pagamento de propina ao presidente da Câmara,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e ao PMDB, em um contrato de aluguel de sondas celebrado
com a Petrobras. Cunha negou que tenha sido o destinatário do dinheiro.
A
denúncia foi feita pelo doleiro Alberto Youssef que também será ouvido pelos
parlamentares da comissão, durante acareação com o ex-diretor de Abastecimento
da Petrobras Paulo Roberto Costa, marcada para o dia 6 de agosto.
Fonte: Correio do
Brasil
