sexta-feira, 3 de abril de 2009

ANTONIO SILVINO, CAPITÃO DE TRABUCO

No Sertão de Pernambuco, parte setentrional e microrregião do Pajeú,está localizada a progressista cidade de Afogados da Ingazeira cujas origens estão presas à fazenda do criador de gado, Manuel Francisco da Silva. Mais tarde, sobre as suas terras foram edificadas muitas casas, dando surgimento a um povoado, cujo desenvolvimento se dá a partir de 1870. Em 1º de julho de 1909, é elevado a cidade pela Lei Provincial nº 991.


O seu nome está ligado à morte por afogamento de um casal de viajantes quando tentou atravessar a nado o rio Pajeú que se encontrava cheio devido às fortes chuvas caídas na região. Os seus corpos foram encontrados alguns dias depois, em local onde floresciam muitas ingazeiras. Assim o lugar passou a ser denominado Afogados da Ingazeira, até porque à época, existia a comunidade de Afogados, na cidade do Recife.

Afogados da Ingazeira se limita com os municípios de Solidão, Tabira, Carnaíba e Iguaracy.



Na seca de 1877, surge nessa região o cangaceiro Adolfo Meia-Noite e a partir de 1896, o Nordeste foi sacudido pelos ataques de Manoel Baptista de Moraes, ou Antonio Silvino, levado a essa circunstancia por conta do assassinato do seu pai, Pedro Rufino Batista de Almeida, o Batistão, na feira livre de Afogados, por membros da família Ramos. Em 1897. depois de novo júri, quando retornavam à cadeia, os Ramos conseguiram fugir após suborno oferecido aos policiais que os escoltavam. Futuramente, Antonio Silvino encontrou Manuel Cabaceira, sobrinho de um dos assassinos do seu pai, acompanhado de João Rosa e praticou a vingança, matando-os, ainda que nada tivessem com a morte do seu genitor.
Antonio Silvino o “governador do Sertão” ou “Capitão de Trabuco” perambulou pelo Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte), sempre perseguido pela polícia militar. O seu bando era formado de poucos homens, chegando algumas vezes a ter mais de dez. Das proezas que praticou se destacam surras, invasão de propriedades, assaltos a pessoas abastadas, distribuição de dinheiro roubado dos ricos com pessoas mais humildes nas feiras livres, queima de malas postais e arquivos de cartórios. Por dezoito anos percorreu a caatinga sertaneja.

Em dado momento, exigiu da Great Western Railway, responsável pela construção da vida férrea, a importância de 30 contos de réis, como indenização alegando que avançava sobre suas terras. Combatendo a chegada do trem, arrancou grande parte dos trilhos, prendeu funcionários e seqüestrou engenheiros.

Em 27 de novembro de 1914, foi ferido e preso por Teófanes Ferraz, na localidade de Lagoa Lage, município de Taquaritinga, Estado de Pernambuco, graças à delação do coiteiro Joaquim Pedro. Condenado a 30 anos de prisão, na Casa de Detenção do Recife, a mesma que recebeu João Dantas, responsável pela morte do presidente João Pessoa, o célebre cangaceiro passou o tempo fabricando gaiolas e rebenques de rabo de cavalo, para venda na feira livre. Em 1937 foi indultado pelo governo Vargas e passou a residir na cidade de Campina Grande onde faleceu em agosto de 1944, segundo Câmara Cascudo. Essa data sofre contestação por parte dos seus biógrafos.

Era homem elegante, bonito, vaidoso, de cor morena e usava sempre farda de oficial da Guarda Nacional, com dourados galões. Estava sempre perfumado e os cabelos ostentavam o uso da brilhantina, enquanto nos dedos carregava anéis cobertos de brilhantes. As armas da sua predileção eram rifle papo-amarelo, um ou mais punhais, pistola Browing e duas cartucheiras em forma de X.

Na nossa região, o cangaceiro esteve em Cachoeira dos Guedes, Cuitegí e nas cidades de Araruna e Guarabira. Ocultou-se muitas vezes com o seu bando, em caverna próxima da cidade de Gurinhém.

Escreveu ao Presidente da República, em 26 de abril de 1939, solicitando uma mesada pelos “relevantes serviços prestados à minha pátria no saneamento moral do Norte”.

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